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Advocacia e Coworking: Uma estratégia competitiva para advogados


As transformações que ocorreram na advocacia na última década, devido ao desenvolvimento acelerado da tecnologia e, principalmente, ao aumento do número de advogados, remodelaram o mercado de trabalho. Atualmente, o conhecimento técnico jurídico, por si só, não é mais suficiente para assegurar sucesso na carreira.


Nos últimos anos, é possível perceber que o valor de um escritório de advocacia não é mais medido apenas pelo seu ativo imobilizado ou pela capacidade de geração de lucros, mas também pela competência para a absorção de conhecimento e criação de inovação. A elevada quantidade de advogados, atualmente somos mais de um milhão, promove uma concorrência que não dá espaço para quem espera passivamente que o cliente procure seu escritório.


A advocacia moderna exige a adoção de um modelo de gestão semelhante ao adotado por empresas privadas, tendo como referência a excelência da prestação de serviços, eficiência operacional, redução de custos, geração de lucros e foco no cliente. Nessa linha, a rede de conexões, ou networking, e a habilidade de criação podem influenciar diretamente na capacidade do advogado ou escritório se tornar competitivo.


Ou seja, é imprescindível modelar com rigor e técnica os aspectos essenciais para o regular funcionamento do escritório, sob pena de se deixar a deriva o futuro do negócio.


Assim, a adoção de estratégias competitivas tornou-se uma necessidade tanto para advogados que pretendem abrir seu próprio escritório, quanto pequenos e médios escritórios estabelecidos. Quem pretende se manter competitivo na advocacia precisa ter recursos que possibilitem o desenvolvimento e a melhoria contínua de suas competências, bem como precisa monitorar regularmente o ambiente externo e buscar alternativas estratégicas para aumentar seu tamanho e força no mercado.


Dentro desse contexto, a escolha dos espaços de coworking como ambiente de trabalho surge como uma poderosa estratégia competitiva para o advogado. O termo coworking é utilizado para definir espaços de trabalho compartilhados por diferentes profissionais com o objetivo de reduzirem custos e facilitarem o trabalho colaborativo. Nesses espaços, cria-se um ambiente propício ao relacionamento, troca de experiências, valores e networking.


A expressão coworking foi utilizada pela primeira vez por Brad Neuberg, em 2005 na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos. Neuberg, um programador de computador e entusiasta de software livre, buscando criar um novo modelo de espaço de trabalho, alugou um pequeno espaço para trabalhar e publicou um convite aberto em seu blog para que outros se juntassem a ele. A partir dessa iniciativa, foi concebida uma "terceira via" de trabalho, a meio caminho entre uma vida profissional "padrão" dentro de um local de trabalho tradicional e bem delimitado, e uma vida profissional independente como freelancer, com total liberdade e independência, mas com o trabalhador isolado em casa.


O coworking representa a possibilidade do advogado lançar mão de um ambiente que permita a redução de custos e, ainda, estimule o compartilhamento do conhecimento. Se antes o advogado era obrigado a suportar sozinho diversos encargos e via-se fragilizado pela maior capacidade e conhecimento dos maiores escritórios, agora os usuários dos espaços de coworking podem encontrar nesse novo ambiente a oportunidade de formar alianças estratégicas com parceiros ou até concorrentes para fazer frente a situações que antes seriam incapazes de enfrentar individualmente.


Como se nota, muito mais do que a possibilidade de reduzir custos, o conceito de coworking se consubstancia na capacidade de agregar conhecimento e fortalecer a difusão de negócios entre profissionais e organizações que antes estavam ilhadas por suas limitações. Por tudo isso, muito mais do que uma mera definição do local trabalho, a escolha por um espaço de coworking representa uma visão estratégica do advogado.


Naturalmente, há também inconvenientes, a exemplo da falta de privacidade, o que pode tornar os projetos desenvolvidos nesses espaços vulneráveis ao “roubo de ideias”. Além disso, o advogado pode não se adaptar ao espaço de trabalho e, portanto, não corresponder à proposta do modelo, não sendo colaborativo e aberto.


No Brasil, as vantagens do coworking foram assimiladas rapidamente. De acordo com o site Coworking Brasil, no ano de 2015 havia 238 espaços, no ano de 2021 foram identificados mais de 1.200 espaços. Entre advogados, o conceito vem se fortalecendo cada vez mais, inclusive com a criação de coworkings destinados exclusivamente aos advogados, o que fomenta o surgimento de um novo modelo de cultura organizacional na advocacia.


É certo, contudo, que apenas a proximidade física e o compartilhamento do espaço não são suficientes para garantir a colaboração, o networking ou o compartilhamento do conhecimento. Caberá ao advogado que optar por esse modelo de trabalho buscar espaços onde exista uma motivação dos usuários pela interação ou, ainda, por contra própria reunir colegas com a mesma visão de negócio para juntos possam compor o próprio espaço compartilhado.


Por fim, sob a perspectiva de uma estratégia competitiva, esses espaços servem tanto como ferramenta de gestão de risco, reduzindo custos e complementado recursos, como ferramenta para criação de ideias e oportunidades, proporcionando melhores resultados para seus usuários. Vale ressaltar que a escolha desse modelo de espaço não traz a garantia plena de sucesso, mas, sem dúvida, configura-se como uma estratégia competitiva interessante nos dias atuais (Fonte: Migalhas).


Antônio Lázaro Neto, consultor da área criminal da Ferraresi Cavalcante - Advogados, Procurador da Justiça Desportiva do Voleibol, especialista em Direito Público e Mestre em Gestão de Organizações

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